-Vieste cedo! Digo-lhe pelo intercomunicador, com a barba meia feita.
-estava com saudades tuas, meu Imperador…!
-sobe!
Deixo a porta aberta enquanto vou tratar do resto da barba, ela sobe e fecha a porta.
-ainda estás de boxers e de barba por fazer?
-é só tomar banho…
-e vestir?... ou vais assim? Abraça-me por trás e reparo que está da minha altura.
-estás mais alta! Viro-me para a ver melhor…fico embasbacado!
-gostas? Perguntou rodando sobre as pontas dos pés…
-adoro!
Cortou o cabelo, deixando comprido à frente e ligeiramente mais curto atrás, num volume em desalinho; uma moldura num rosto que o torna incrivelmente mais belo e uns olhos ainda mais verdes, lábios ainda mais deliciosos…num vestido que ela nunca usa, pernas que nunca mostra nuns saltos que a levam à minha altura.
-onde é que vamos mesmo, Sua Majestade? Puxando-a para mim pela cintura acentuada pelo cinto fino que usa sobre o vestido.
-o Meu Imperador vai tomar banho e vestir-se rapidinho!
Vamos jantar a casa de uns amigos dela, são três casais…querem conhecer-me, vão medir-me, testar-me, provavelmente fazer análises ao sangue e urina, umas quantas radiografias, e sei lá que mais.
Passo a mão da manete das mudanças para a articulação sinovial inferior dela, que é o mesmo que dizer joelho, e deslizo pela perna acima…
-pára César Manuel, que me excitas! Virá na próxima à esquerda.
Ela faz as apresentações, as amigas são daquelas que dão a cara apenas para receber um beijo e deixam-me suspenso no outro…ela repara e sussurra.
– depois compenso-te a falta de beijos!
-só preciso dos teus para ser feliz!
Ofereço a minha ajuda na cozinha, é o sítio onde me sinto melhor numa casa estranha, a cheirar os tachos tal como fez o João, aquele que era Ratão e que acabou cozido e assado no caldeirão! A dona da casa é simpática, gosta de comida italiana como eu; o dono nem por isso, ri alto e faz um esforço para ser o centro das atenções. A conversa prossegue à mesa, onde cada prato se encontra perfeitamente cercado de cada lado por fileiras de talheres e no topo por uma cascata de copos e copinhos. Não sei se a finalidade é assustar ou que eu faça má figura em frente à Soberana do meu coração, mas pelos vistos ninguém lhes disse que sou César, Imperador dos copos e talheres!
Penélope está com ar sério, talvez preocupada, mas o semblante altera-se quando lhe pego a mão e a beijo, e depois lhe sirvo água no copo certo! O jantar decorre sem grandes percalços, depois de uns quantos copos e talheres usados, o ambiente ameniza, o gelo derrete e escorre algures pelo soalho corrido de madeira. Mas falta a pergunta da praxe:
-Então César, ouvi dizer que vende livros?! Claramente provocador, o dono da casa opta pelo florete. Desembainho a espada fina sem gume, de pega francesa e cumprimentamo-nos com a arma num gesto rápido antes de dar início ao duelo! Ele acha que me rebaixa por eu não ter um cargo importante ou um canudo impressionante. Mas a dona da casa, claramente uma aliada, e preocupada que o combate quebre algum bibelô, remata:
-deve ser tão bom estar todo o dia rodeado de livros. Adoro livros! E Penélope aproveita a deixa:
-tens de ver a biblioteca deles…é magnífica!
E vamos ver a biblioteca, de facto, magnífica é o adjectivo apropriado, com estantes em madeira escura, iluminação direccionada, os livros ocupam a parede desde o chão ao tecto. A variedade de temas e autores é extraordinária, passo os dedos por algumas lombadas, edições antigas, encadernações preciosas…
Finalmente a noite chega ao fim, estou cansado das estocadas da lâmina mas mesmo assim não resisto aos apelos da minha rainha que me pede umas massagens, enquanto me enche de beijos!
sonhos, fantasias, ilusões, narrações, histórias e desafios, confissões e desilusões de quem aspira um dia saber escrever! fica a tentativa...
sexta-feira, 4 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
muro
Cerca de dois metros de muro em blocos de granito, alvenaria de pedra seca, dispensada da argamassa em cal e areia, ou até mesmo barro. As pedras de tamanho variável, deixam espaços, facilitando a subida. Mesmo nos sítios onde pedras menores foram colocadas para calçar as maiores, o acabamento irregular tornava a escalada interessante, não fosse a chuva que caía torrencial! O muro de cerca de dois metros do vizinho esconde pequenas preciosidades, mas é na Magnólia rosa que estou interessado, precisamente aquilo que o muro não esconde e ainda ajuda a alcançar! E corto-lhe um pequeno ramo, pedindo desculpa à árvore…dizendo que é por amor a uma rainha!
Quando a convidei para jantar na quinta-feira anterior, nunca imaginei o desenrolar dos acontecimentos que me levariam nesta noite de S. Valentin, a trepar cerca de dois metros de muro, sim é a terceira vez que o digo, para num acto desesperado cortar um ramo de Magnólia rosa. Fiz com esmero uma lasanha, comprei vinho, compus a mesa com velas e depois do jantar, ela disse que tinha de ir embora, o trabalho por acabar e o cansaço impediam-na de ficar. Não reagi, achei que era uma brincadeira quando voltou logo a seguir, mas afinal voltava porque se esquecera do telemóvel em cima da mesa junto ao sofá…implorei que ficasse, sugeri que a levava a casa mais tarde, queria estar com ela só mais um pouco e ela então disse que não, que aceita-se o não como um homem adulto, que não era uma criança…as palavras dela embateram de frente, não como uma onda, que essas eu sei como me desviar, mas como um muro, idêntico a este de dois metros em granito! E desde quinta-feira não voltamos a falar.
Deambulei pela cidade à chuva quando a noite já se impusera, diluindo o orgulho, amarrando à boca do estômago um pedido de desculpas. A Magnólia de braços rosa sobre o muro oferecia o presente de rainha. Ingénuo, o pé resvala na descida, o granito torna-se joelho e a pele torna-se muro, e o sangue escorre misturando-se com a chuva, empapando o tecido rasgado.
Espero que alguém entre no prédio, encharcado em água e sangue subo o lanço de escadas até à porta dela e quando a porta se abre, peço-lhe desculpa. os olhos enchem-se escuros, sem sinal do verde que os costuma habitar.
Podia ter dito” não chores!”, e ela podia ter pedido desculpas pelas palavras que atirou naquele dia, mas não dissemos nada. Já tinha libertado a única palavra que trazia quente, abrigada da chuva e do vento, e com ela todas as outras deixavam de ter sentido. Ela por seu lado, dissolvera todo e qualquer discurso em lágrimas, que lhe enchiam os olhos como uma represa de águas escuras que, cheia de tudo, transbordara pela face.
As bocas libertas de articular vocábulos, encontraram-se, e as línguas que as habitavam passaram a ocupar, cada uma a seu tempo, a boca oposta à sua! Despojados das roupas, umas molhadas outras secas, o tapete balofo em lã vermelha foi por fim, palco do concúbito. E não voltamos a falar…
Quando a convidei para jantar na quinta-feira anterior, nunca imaginei o desenrolar dos acontecimentos que me levariam nesta noite de S. Valentin, a trepar cerca de dois metros de muro, sim é a terceira vez que o digo, para num acto desesperado cortar um ramo de Magnólia rosa. Fiz com esmero uma lasanha, comprei vinho, compus a mesa com velas e depois do jantar, ela disse que tinha de ir embora, o trabalho por acabar e o cansaço impediam-na de ficar. Não reagi, achei que era uma brincadeira quando voltou logo a seguir, mas afinal voltava porque se esquecera do telemóvel em cima da mesa junto ao sofá…implorei que ficasse, sugeri que a levava a casa mais tarde, queria estar com ela só mais um pouco e ela então disse que não, que aceita-se o não como um homem adulto, que não era uma criança…as palavras dela embateram de frente, não como uma onda, que essas eu sei como me desviar, mas como um muro, idêntico a este de dois metros em granito! E desde quinta-feira não voltamos a falar.
Deambulei pela cidade à chuva quando a noite já se impusera, diluindo o orgulho, amarrando à boca do estômago um pedido de desculpas. A Magnólia de braços rosa sobre o muro oferecia o presente de rainha. Ingénuo, o pé resvala na descida, o granito torna-se joelho e a pele torna-se muro, e o sangue escorre misturando-se com a chuva, empapando o tecido rasgado.
Espero que alguém entre no prédio, encharcado em água e sangue subo o lanço de escadas até à porta dela e quando a porta se abre, peço-lhe desculpa. os olhos enchem-se escuros, sem sinal do verde que os costuma habitar.
Podia ter dito” não chores!”, e ela podia ter pedido desculpas pelas palavras que atirou naquele dia, mas não dissemos nada. Já tinha libertado a única palavra que trazia quente, abrigada da chuva e do vento, e com ela todas as outras deixavam de ter sentido. Ela por seu lado, dissolvera todo e qualquer discurso em lágrimas, que lhe enchiam os olhos como uma represa de águas escuras que, cheia de tudo, transbordara pela face.
As bocas libertas de articular vocábulos, encontraram-se, e as línguas que as habitavam passaram a ocupar, cada uma a seu tempo, a boca oposta à sua! Despojados das roupas, umas molhadas outras secas, o tapete balofo em lã vermelha foi por fim, palco do concúbito. E não voltamos a falar…
quarta-feira, 2 de março de 2011
prática com açaime
a noite caiu sobre um dia indiferente e espero por ela na estação, enxuto, encolhido de frio. E eis que surge, radiante e aparentemente distante, mas atenta às horas e ao metro que se aproxima. Dois passos, ou qualquer coisa como um metro, mas para não voltar a usar a palavra metro exagero a distância e a dois passos dela, volta-se como que sentindo a minha presença, o meu vazio.
- chegaste agora?
- não, já aqui estava à tua espera.
- não te vi...
- estava encolhido e vazio!
- e agora estás mais preenchido?
- nem tu imaginas quanto!
- mas tínhamos combinado alguma coisa?
- não, eu é que resolvi fazer-te uma surpresa!
Entramos no metro, nem completamente cheio, nem demasiadamente vazio. os lugares lado a lado estão preenchidos, ficamos em pé à porta, cabeças juntas, tão juntas que o mais leve solavanco aproxima as nossas bocas.
-então vou ter de mandar uma mensagem ao outro a desmarcar...
- tu vê lá, se preferires estar com ele...?
Uma senhora já com alguma idade, nas proximidades lança olhares de dúvida...
-não, tu cozinhas melhor!
- é só nisso que sou melhor?
- também és melhor no sexo oral...
a senhora com alguma idade procura desesperadamente outra porta e distanciar-se da palavra sexo!
- assustaste a senhora!
- ela não tinha nada que vir para aqui ouvir a nossa conversa...
- mas espera lá, não mudes de assunto...só sou melhor nisso?
- não me estou a queixar...
- e o resto?
- no resto és mediano, só à excepção das massagens, nisso és fraquito!
- nunca tive reclamações...
- estás a ter agora, mas não é motivo para ficares preocupado, só tens de praticar muito e olha eu ando aqui com uma dor... devo ter dado um jeito nas costas! Podes praticar em mim...
- talvez precise de uma aulas particulares com uma tailandesa...
-talvez precises de um açaime e quem sabe, de uma trela...
- chegaste agora?
- não, já aqui estava à tua espera.
- não te vi...
- estava encolhido e vazio!
- e agora estás mais preenchido?
- nem tu imaginas quanto!
- mas tínhamos combinado alguma coisa?
- não, eu é que resolvi fazer-te uma surpresa!
Entramos no metro, nem completamente cheio, nem demasiadamente vazio. os lugares lado a lado estão preenchidos, ficamos em pé à porta, cabeças juntas, tão juntas que o mais leve solavanco aproxima as nossas bocas.
-então vou ter de mandar uma mensagem ao outro a desmarcar...
- tu vê lá, se preferires estar com ele...?
Uma senhora já com alguma idade, nas proximidades lança olhares de dúvida...
-não, tu cozinhas melhor!
- é só nisso que sou melhor?
- também és melhor no sexo oral...
a senhora com alguma idade procura desesperadamente outra porta e distanciar-se da palavra sexo!
- assustaste a senhora!
- ela não tinha nada que vir para aqui ouvir a nossa conversa...
- mas espera lá, não mudes de assunto...só sou melhor nisso?
- não me estou a queixar...
- e o resto?
- no resto és mediano, só à excepção das massagens, nisso és fraquito!
- nunca tive reclamações...
- estás a ter agora, mas não é motivo para ficares preocupado, só tens de praticar muito e olha eu ando aqui com uma dor... devo ter dado um jeito nas costas! Podes praticar em mim...
- talvez precise de uma aulas particulares com uma tailandesa...
-talvez precises de um açaime e quem sabe, de uma trela...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
hoplita parte dois
Com a perna apoiada no braço do sofá, deslaça as tiras de couro das cnêmides de bronze que lhe protegem a canela e o topo do joelho.
Penélope de olhos quase verdes e sorriso aberto provoca-me e beija-me através do elmo espartano de crina negra, aquecendo o metal ao toque, ao mesmo tempo que me liberta da couraça que ainda protege o peito.
-foi muito divertido, devíamos de o fazer mais vezes!
-Sua majestade gosta de me ver sofrer!
-gosto de te ver nessa couraça, nesse elmo de bronze reluzente …de lança em punho, feroz, tão destemido! Para quando uma próxima batalha?
-só daqui a muitos anos…
-mas gostei, principalmente da tua irmã… e dos teus avós, são uns queridos!
-hum! Não fiques viciada…
- estou só um pouco desiludida…andei a ter aulas de primeiros socorros e afinal nem tive de te fazer respiração boca-a-boca!
-ainda vais a tempo de o fazer!
agarro-a pela cintura e caímos no sofá. Já despidos de armaduras, ali ficamos adormecidos, exaustos da batalha e das tréguas, e da reanimação!
Penélope de olhos quase verdes e sorriso aberto provoca-me e beija-me através do elmo espartano de crina negra, aquecendo o metal ao toque, ao mesmo tempo que me liberta da couraça que ainda protege o peito.
-foi muito divertido, devíamos de o fazer mais vezes!
-Sua majestade gosta de me ver sofrer!
-gosto de te ver nessa couraça, nesse elmo de bronze reluzente …de lança em punho, feroz, tão destemido! Para quando uma próxima batalha?
-só daqui a muitos anos…
-mas gostei, principalmente da tua irmã… e dos teus avós, são uns queridos!
-hum! Não fiques viciada…
- estou só um pouco desiludida…andei a ter aulas de primeiros socorros e afinal nem tive de te fazer respiração boca-a-boca!
-ainda vais a tempo de o fazer!
agarro-a pela cintura e caímos no sofá. Já despidos de armaduras, ali ficamos adormecidos, exaustos da batalha e das tréguas, e da reanimação!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
hoplita
Precisava de um gravador mental, um que fosse imprimindo na forma de fita magnética ou então digitalizando em bits e bytes todos os pensamentos que vou vomitando e que nem sempre conseguem alcançar o papel na forma de caracteres legíveis.
Ontem explodiam na minha cabeça, cruzamentos interessantes, palavras novas ou pouco usadas, hoje já não as encontro, mas a história é algo assim:
Desde a grande separação de 1982, funcionava um sistema complicado mas aprazível para ambas as partes progenitoras, baseado no "este dia é teu, este dia é meu"! Ainda o dia 23 de janeiro estava longe e já se tomavam medidas reivindicativas! tudo muito simples, se esse dia fosse à semana. Ouvia-os respirar de alivio, enquanto decretavam em diário da república: no dia 23 comemora com a família paterna no Porto, no fim de semana seguinte, comemora com família materna na Figueira!
A coisa complicava-se quando o dia 23 lá calhava num sábado ou domingo, não havendo entendimento entre as partes intervenientes. Da última vez que isto aconteceu, declarei que não voltaria a comemorar o meu aniversário com nenhuma das partes, passando os aniversários seguintes fora do país!
Este ano a pedido dos meus avós, e precavendo possíveis contendas, decidi convidar os dois lados da barricada para um almoço em minha casa. Não podia deixar de convidar também a realeza de Ítaca, avisando-a dos riscos a que estaria sujeita num almoço, não de uma, mas de duas famílias. Mas ela mesmo assim aceitou, colocando prontamente o seu elmo reluzente, armada de espada e de um pesado escudo, uma hoplita pronta para a guerra!
Ontem explodiam na minha cabeça, cruzamentos interessantes, palavras novas ou pouco usadas, hoje já não as encontro, mas a história é algo assim:
Desde a grande separação de 1982, funcionava um sistema complicado mas aprazível para ambas as partes progenitoras, baseado no "este dia é teu, este dia é meu"! Ainda o dia 23 de janeiro estava longe e já se tomavam medidas reivindicativas! tudo muito simples, se esse dia fosse à semana. Ouvia-os respirar de alivio, enquanto decretavam em diário da república: no dia 23 comemora com a família paterna no Porto, no fim de semana seguinte, comemora com família materna na Figueira!
A coisa complicava-se quando o dia 23 lá calhava num sábado ou domingo, não havendo entendimento entre as partes intervenientes. Da última vez que isto aconteceu, declarei que não voltaria a comemorar o meu aniversário com nenhuma das partes, passando os aniversários seguintes fora do país!
Este ano a pedido dos meus avós, e precavendo possíveis contendas, decidi convidar os dois lados da barricada para um almoço em minha casa. Não podia deixar de convidar também a realeza de Ítaca, avisando-a dos riscos a que estaria sujeita num almoço, não de uma, mas de duas famílias. Mas ela mesmo assim aceitou, colocando prontamente o seu elmo reluzente, armada de espada e de um pesado escudo, uma hoplita pronta para a guerra!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
tempo frio
Pago uma rodada, brindamos à saúde, à amizade, aos longos anos de vida. Já é tarde. Sinto a falta dela na noite fria, que de tão fria me vai cortando o coração em pedaços e penso nela… a esta hora já sonha sob um edredão florido.
Não há outro sítio no mundo onde desejo mais estar, a não ser sob o mesmo edredão florido, e esperar que ela adormeça na dobra do meu braço, onde repousa os sonhos abrigada dos pesadelos pelo manto de penas.
Toco à campainha importunando o silêncio intenso, uns segundos depois o intercomunicador ilumina-se e a voz dela sexy e sonolenta diz:
-já demos, volte amanhã!
-desculpa vir acordar-te!
-a porta deve de estar trancada, espera um pouco, desço já!
Minutos depois, a luz do átrio acende-se e pelas escadas aparece a minha musa, de cabelo em desalinho, olhos minúsculos, pijama com ursinhos, enrolada num imenso casaco de malha. Raspo o vidro da porta implorando a entrada.
-seu vadio! Diz enquanto abre a porta, e lambo-lhe a cara em resposta!
-és mesmo doido e estás gelado! E subimos até casa dela, sigo o perfume que acaba de deixar, o mesmo que reconheço em qualquer lugar, a falta da minha inspiração tem destas coisas, rimar deixar com lugar é do pior que já tenho escrito!
E antes de se deitar, faz o aviso:
-não abras o armário, tive de meter o outro lá dentro!
-não era necessário, podias deixar estar, era mais um para aquecer a cama…
Tiro a roupa fria e deslizo pelos lençóis ainda quentes, abraço-a e ela beija-me dizendo:
-Parabéns!
Não há outro sítio no mundo onde desejo mais estar, a não ser sob o mesmo edredão florido, e esperar que ela adormeça na dobra do meu braço, onde repousa os sonhos abrigada dos pesadelos pelo manto de penas.
Toco à campainha importunando o silêncio intenso, uns segundos depois o intercomunicador ilumina-se e a voz dela sexy e sonolenta diz:
-já demos, volte amanhã!
-desculpa vir acordar-te!
-a porta deve de estar trancada, espera um pouco, desço já!
Minutos depois, a luz do átrio acende-se e pelas escadas aparece a minha musa, de cabelo em desalinho, olhos minúsculos, pijama com ursinhos, enrolada num imenso casaco de malha. Raspo o vidro da porta implorando a entrada.
-seu vadio! Diz enquanto abre a porta, e lambo-lhe a cara em resposta!
-és mesmo doido e estás gelado! E subimos até casa dela, sigo o perfume que acaba de deixar, o mesmo que reconheço em qualquer lugar, a falta da minha inspiração tem destas coisas, rimar deixar com lugar é do pior que já tenho escrito!
E antes de se deitar, faz o aviso:
-não abras o armário, tive de meter o outro lá dentro!
-não era necessário, podias deixar estar, era mais um para aquecer a cama…
Tiro a roupa fria e deslizo pelos lençóis ainda quentes, abraço-a e ela beija-me dizendo:
-Parabéns!
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Penélope
Doce Penélope voltou trazendo o frio e a chuva no cabelo.
Eis a Rainha de Ítaca, de olhos brilhantes ofuscando as estrelas. Serena demora-se à porta do quarto, ostenta o meu casaco de alamares que lhe sobeja nas mangas. Fia um pensamento enquanto morde o sorriso no lábio, e começa a despir-se. Primeiro o casaco, lentamente caindo como um real manto pelas costas, depois as botas pisando o calcanhar, o longo cachecol em que a amarrei num beijo, as calças sem pressa, as camisolas que lança pelo ar na minha direcção, e por fim nua, gelada, a bela soberana desliza para os meus braços, onde a recebo num abraço quente, intenso debaixo do edredão!
Eis a Rainha de Ítaca, de olhos brilhantes ofuscando as estrelas. Serena demora-se à porta do quarto, ostenta o meu casaco de alamares que lhe sobeja nas mangas. Fia um pensamento enquanto morde o sorriso no lábio, e começa a despir-se. Primeiro o casaco, lentamente caindo como um real manto pelas costas, depois as botas pisando o calcanhar, o longo cachecol em que a amarrei num beijo, as calças sem pressa, as camisolas que lança pelo ar na minha direcção, e por fim nua, gelada, a bela soberana desliza para os meus braços, onde a recebo num abraço quente, intenso debaixo do edredão!
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